Se você vai longe em sua vida, quem sabe chegou aos 60 anos, nem tão longe assim atualmente, e tem se pego pensando em como usar do seus direitos de idoso, talvez valha a pena mergulhar em sua memória e revisar seus sonhos. Quais você abandonou, deixou para trás, não os fez seja lá pelo que foi. Assim fez Diana Nyad e conheci sua história pelo filme “Nyad” no Netflix. O que ela deixou sem realizar foi algo nada simples. Nadar 161 km, de Cuba à Flórida em pleno alto mar. Coisa que ela levaria mais de 50 horas, ou seja, mais de 2 dias nadando sem parar. Sem levar em conta mal tempo e a fauna marítima, a vida do mar que não foi informada que por ali passaria uma nadadora desvairada.

Quando criança temos um universo aberto a nossa frente e por boa influencia da imaginação juvenil e de uma ou outra imaturidade, achamos que podemos tudo, que seremos muito, por mais adverso que seja nossa vida naquele momento, é muito difícil apagar o brilho do olhar infantil. O tempo sim o faz, no passar dos anos, a vida fica concreta, as decisões vão aparecendo, nelas muito vai sendo deixado de lado. Aprendemos a raciocinar como adultos, tudo é medido, planejado, as responsabilidades nos predem. Lá pelas tantas, numa etapa que tá mais para crepuscular do que de nascer do sol, mas pode até ser um meio de tarde, pensamos o quanto nos falta, quanto de vida ainda temos, lamentamos o que não fizemos, nos questionamos se fizemos, nos desesperamos na tentativa de saber o quanto de tempo temos e o que dará ainda para fazer. Nessa hora, lembramos de uma ou outra coisa deixada em uma gaveta, num canto de memória.
Sobra inspiração e exemplo quando assistimos o filme. Ela decide fazer o percurso impossível, marcado como loucura para tantos que opinam. O assinalamento não é apenas nos comentários, mas em cada cena que se desenrola. Não tenta uma, mas muitas vezes. Ela não consegue de imediato, mas leva anos para chegar a seu intento e com isso, ela passa dos propostos 60 anos que falamos e está cada vez mais velha para a tarefa. Velha por um lado, renovada em sua decisão pelo outro, quem sabe aí está a sua fonte da juventude, propósito. Não quero a ingenuidade de achar que foi apenas o que o filme mostra, toda obra biográfica acaba romanceando esse ou aquele aspecto da vida em questão. Porém a realização é factual, sabemos de outras fontes que em “31 de agosto de 2013, Diana Nyad, então com 64 anos, encarava sua quinta tentativa de atravessar a nado o estreito de Flórida – trecho em mar aberto que separa Cuba e Estados Unidos. A empreitada finalmente se concretizou após 52 horas, 54 minutos e 18 segundos, quando ela chegou em Miami, no dia 2 de setembro.” (https://veja.abril.com.br/coluna/e-tudo-historia/a-controversa-historia-real-por-tras-do-filme-nyad-da-netflix).
Quais mares, tubarões, ventos estão entre nós e o que desejamos fazer. Que espaço divide esse encontro. Precisamos de uma persistência e uma mesmice nela. Os milhares de quilômetros encurtam após uma braçada e outra e mais uma e outra, melhor não pensar nelas e sim no para onde elas nos levam. Quantas foram iguais numa repetição metódica, ritmada feita por sua vontade e disciplina mental. Com quem podemos contar? Nyad precisou de muitos e mostra-se até desajeitada no cultivo de quem podia ajudá-la. Todos foram criativos ao trazer estratégias de superação para cada novo desafio surgido. Nos lancemos ao mar, sabendo que ao nosso lado, podemos ter uma boa equipe de quem gosta e quer ver um desafio vencido.





